sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

FOI NESTA DOR QUE O AMOR ME ENCONTROU


Eu sou Divino, eu sou amor
Sou feito de orvalho, paixão e barro
São feitas de luz e sal as estrelas do mar
Dançam sobre as estações os meus sonhos
Arrancando prodígios da luz
O sorriso de um anjo de pedra
O naufrágio da sorte errante do amor
Apenas porque te conheço na ternura dos olhos de silêncio
Apenas...
Eram brancas todas as Primaveras
Com as mãos presas ao perfume das buganvílias
Há vozes que são pedra a pedra como palavras
Há sentimentos que nunca florescem num campo de mágoas
E solto o beijo sobre o orvalho das flores
Nos inaudíveis segredos de uma mulher
Duvidem! Condenem-me! Glorifiquem-me! Que importa...?!
Serei sempre o que Deus quiser
Apenas porque o meu coração é uma casa na ilha
Com a paixão crio maravilha
Sabem...?!
Uma vez remexi nos bolsos de um espantalho
Tirei de lá uma folha de amarrotado papel
Tinha uma frase, um cheiro de solidão que me encantou
Olhei para o rosto patético e dorido do espantalho e li alto a frase ao vento
“FOI NESTA DOR QUE O AMOR ME ENCONTROU”

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

AMAR A SORRIR


Faço-te uma proposta de encantamento
Perdoando a demora e baloiçando no infinito
Sabes?! Depois de muito navegar cheguei ao país dos pássaros do mar
Vindo de uma ilha perdida no meio de nada
Senti-me rei e marinheiro
Enfeitei-me de algas carmesim
Descansei numa gruta adornada por búzios azuis
Construi um casaco cintilante de escamas de sereia
E sorri para a vida toda na chegada da maré cheia
Encantei-me no murmúrio da maresia
No encantamento dancei com o suspiro do mar
Tudo isso depois de navegar mil anos para te encontrar
Amar...
Nesta ilha encontrei:
As árvores cuidando dos animais
Gente boa e outros que tais
Sereias e ninfas pintando tudo de verde
Soltando aves em sorrisos lentos
E...perdi-me dentro de mim
Pensei partir
Pensei voar
Recolhi penas, construi um par de asas
E imaginei alguém...amar a sorrir...



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

VIOLANDO O PENSAMENTO


A palavra que devasta o coração
Uma gaivota repentina voando rindo
Apenas porque expludo sorrindo
Como o vento digo a verdade mentindo
Eu sou amor!
Um punhado de amor esperando o despertar
Eu sou pedra no terror da solidão
Sou aquele que diz saber amar
Um suspiro definitivo da oração
“Um poeta também tem coração”
Num lugar qualquer
No recorte dos lábios de uma mulher
Numa guerra de quereres sem sorrisos
Apertando o instinto crispado
Ás vezes feliz, outras mal amado
Se és mulher?
Se Deus assim quer
Que sejas tudo ou nada
“Porque uma mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Apenas porque nesta desatinada poesia varri a cabeça por um momento
Pensei em ti...violando o pensamento...


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O APANHADOR DE ILUSÕES


Plantei sonhos de andorinha
Num mar arável afoguei a solidão
Apenas porque é Outono e tem gosto a ilha a saudade
Sabes?!
Tem tanto amor imaginar-te amando nas mãos em construção
Pelos paços gastos de menino antigo cansado de caminhar
De mudar o suor de todas as coisas, melancolia
Ou por tudo o que há de bom ressuscitar sempre
No esconder das mãos por entre um sonho por acabar
No devorar de todos os beijos possíveis
O canto de pássaro no chamar
Uma cidade inventada, uma praça, uma hora marcada para te encontrar
A noite se aproximando quando sinto a ansia do recolhimento
Nesta ilha, na solidão do crepúsculo verticalmente duradouro
Explode a chama da tua lembrança em tons ouro
E penso, imagino-te
Nos olhos cerrados da manhã infinita
Como companheira das horas transparentes
Por isso:
Que a palavra nunca se recolha amarga
Que haja sorriso no balanço do pensamento
Que a noite do descontentamento suspire definitivo
Recolhendo a palavra triste
Porque:
Caminhando está o recomeço de tudo, também amando
Perdi penas contradições
Joguei pragas ao vento, toquei mil corações
Descansei na areia como as gaivotas
Este... APANHADOR DE ILUSÕES...




quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O SANGUE DAS SOMBRAS MUSICAIS


Um bando de pássaros cai do céu sorrindo
Um homem cozeu-se á parede com medo de viver
Vi uma estrela do mar dependurada num portão
Sou um delinquente da palavra que cativa o teu coração
Embriagado de satisfação e cansaço admito ao espírito do mar
“ Que ainda sei, sinto e quero pintar docemente o amar”
E brindo com sangria e alecrim
Visito todos os espaços de um coração vazio
Navego numa calmaria agitada, nos braços de um indomável rio
No olho da cidade um barco navegante
No céu da ilha uma gaivota desce em voo rasante
E eu...
Nesta solidão bailando no infinito
Nesta espera de incontido grito
E eu...
Na espera do improvável preso no tempo
Limpo a água do rosto nas velas dos estais
Apenas porque há feridas que se esquecem
Tal como... O sangue nas sombras musicais...

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

NO MEU PALCO


Mil guerreiros correm pelo mar infinito
Um milhafre solta Um grito de vitória
Perseguindo os brilho das armas ao amanhecer
Despedaçam nuvens com sonhos de fogo
Plantam na vida felizes memórias
Estive contigo quando o amor morreu
Cheguei ao mundo quando o encanto amanheceu
Estive no mar quando o mar amansou
Estive na partida quando a incompreensão chegou
Mas diz-me coisas sobre as magnólias
Fala-me do voo eterno da gaivota
Vem sem me perguntares pelo amanhã
Atira ao mar qualquer esperança já morta
Escreve a cor vibrante á tua porta
“Vem ou deixa-me morrer com a tua lembrança”
Vem docemente como papagaio colorido de papel
Com a lucidez dos espelhos e água inquieta dos ribeiros
Menina...
Cobre-te de névoas e flores
Pinta o teu rosto de carmesim
Sente as pancadas de Molière
Descalça os pés e atira as palavras mais alto
Vem habitar...No meu palco...



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A CONSTRUÇÃO DE UM SILÊNCIO


Há quem me largue socos quando apenas quero viver,
pela revolta da pedra,
há também quem me sorria num sorriso louco,
com a maldade tatuada no coração.
Estes ventos que correm húmidos pelos corredoras da ilha,
um céu aberto pelos vales da carne...
a dor por apagar nos leitos maravilhosos,
parada na imensidão das horas,
esta criança num corpo grande que silenciosamente chora,
alma presa á terra,
este querer que agora quer partir, preso entre o chegar e ir embora.
A construção e um silêncio na palavra feroz,
a vontade nas mãos do algoz, peixes azuis,
andorinhas do mar, quatro pedras para o corpo aconchegar,
uma apenas para o coração parar, para a vida deixar de medrar.
Sacudo o pranto, afasto o desencanto,
quebro o quebranto, sou o rei dos mendigos,
sou madrugada sem brilho, sou um pagador do pecado,
a esperança de um filho, um tudo preso ao quase nada...